Mirtilo uva-do-monte vaccinium rabbiteye
 
abacateabacaxiameixaamoraamora pretaaracaazeitonabananabutiabergamotacaquifigofigo da indiaframboesagoiabaguabirobaguabijukiwilaranjalimãomaçãmamãomangamaracujámarmelomelanciamelãomirtilomorangonectarinanesperanos pecãpêrapêssegoPinhãopitangaromãuva

 

Mirtilo

Autor: Pierre Vilela

Esta fruta exótica de clima temperado apresenta grande potencial para produção no Brasil
O alto teor de pigmentos antocianos – substâncias com poder antioxidante e preventivas de doenças degenerativas , seu sabor único e sua cor inconfundível são fatores que atraem diretamente o consumidor.

Nome popular da fruta: Mirtilo (uva-do-monte)

Nome científico: Vaccinium sp.

Origem: América do Norte

Fruto: O fruto é do tipo baga, de cor azul intensa quando maduro, recoberto de cera, com diâmetro entre 1,5 a 2,5 cm de diâmetro e 1,5 a 4 g de peso. Possui muitas sementes de pequeno tamanho e polpa de sabor doce-ácido.

Planta: O mirtilo é uma espécie arbustiva ou rasteira e caducifólia, com 1,5 a 3 metros de altura, de clima temperado e exigente em frio para quebra da dormência. Produz em ramos de ano, em grupamentos de frutos que amadurecem de forma irregular no ramo, exigindo várias colheitas seletivas para retirar somente os frutos maduros.

Cultivo: O mirtilo foi introduzido no Brasil em 1983. A espécie trazida ao Brasil foi a Vaccinium ashei, também conhecida como “rabbiteye” (olho-de-coelho, devido à cor vermelha dos frutos imaturos), de menor exigência em frio.

Há muitas espécies de mirtilo, sendo que as que possuem expressão comercial são divididas em três grupos, de acordo com o genótipo, hábito de crescimento, tipo de fruto produzido e outras características. Os grupos são:

"Highbush" (mirtilo gigante): Originário da costa oeste da América do Norte. Sua produção, dentre os demais grupos, é a de melhor qualidade, tanto em tamanho quanto em sabor dos frutos. A principal espécie deste grupo é Vaccinium corymbosum L.. As espécies V. australe e V. darrowi são usadas para fins de melhoramento genético.

"rabbiteye": Originário do sul da América do Norte. Tem como representante a espécie Vaccinium ashei Reade. Em relação ao grupo anterior, produz frutos de menor tamanho e de menor qualidade. Apresenta maior produção por planta e seus frutos têm uma maior conservação em pós-colheita. Apresenta maior importância comercial em regiões com menor disponibilidade de frio, por causa da sua tolerância a temperaturas mais elevadas e à deficiência hídrica.

"lowbush": Tem hábito de crescimento rasteiro e produz frutos de pequeno tamanho, presta-se ao processamento.

Usos: Os frutos podem ser utilizados para consumo “in natura” ou na forma de geléias, suco, fruta congelada, iogurte, polpa e licor.

O mirtilo tem sua popularidade e interesse pelos consumidores associados às propriedades funcionais da fruta, que a tornaram conhecida como “fruta da longevidade”. O alto teor de pigmentos antocianos, substâncias com poder antioxidante e preventivas de doenças degenerativas, seu sabor único e sua cor inconfundível são fatores que atraem diretamente o consumidor.

Mercado: O baixo volume de produção no país limita o mercado ao fruto fresco, inclusive para exportação. O potencial industrial ainda não é explorado.

Alguns fatores importantes dificultam a expansão da cultura no Brasil. Destacam-se:
o desconhecimento da cultura e de suas práticas por técnicos e produtores, exigindo a habilitação prévia destes para que as áreas de produção sejam econômicas; as limitações tecnológicas existentes, devido as poucas pesquisas e informações disponíveis no Brasil.

Segundo especialistas, as principais limitações tecnológicas para esta cultura no país são: poucas cultivares adaptadas, baixa produção de mudas, baixo desenvolvimento inicial das mudas no viveiro pós-enraizamento e no campo, manejo da planta, irrigação, manejo fitossanitário e o risco de ocorrência de novas pragas ou doenças e a etapa de colheita e manejo pós-colheita da fruta. Observa-se em algumas regiões a baixa acumulação de frio e os invernos amenos, com alternância de temperaturas como outra limitação.

Salienta-se, também, a necessidade de estruturação do sistema produtivo e dos canais de comercialização, as limitações de logística para mercado interno e externo e a baixa organização dos produtores.
Orientações Gerais:
Alexandre Hoffmann, Embrapa Uva e Vinho
Luís Eduardo C. Antunes, Embrapa Clima Temperado

1. Formas de Propagação
Estacas enraizadas ou micropropagação (cultivo "in vitro"). Usar preferencialmente mudas de dois anos de viveiro, pois as mudas de 1 ano tendem a ter pouco desenvolvimento no campo e a perda de mudas após o plantio pode ser elevada.

2. Solo
O mirtilo exige solo bem drenado, poroso, com boa fertilidade, elevado teor de matéria orgânica e pH entre 4,5 a 5,2. É recomendado o uso de fertilizantes orgânicos e condicionantes físicos do solo (serragem curtida ou material equivalente). A irrigação é importante para evitar perdas após o plantio e para assegurar produção constante e de boa qualidade. Não é recomendado o uso de calcário.

3. Época do plantio
As mudas devem ser transplantadas no inverno, quando estiverem em dormência.

4. Regiões preferenciais para o cultivo
O mirtilo é uma espécie frutífera de clima temperado, que necessita de frio no inverno para quebra da dormência. Portanto, regiões com pouca acumulação de frio (inferior a 300 horas abaixo de 7,2oC na média dos anos) tenderão a ter maiores problemas de adaptação das plantas. As regiões mais indicadas são as que apresentam acumulação de frio superior a 500 horas anuais. Porém, a adaptação está diretamente associada à exigência de cada cultivar. Em regiões com menor acumulação de frio, recomenda-se as espécies Vaccinium ashei (rabbiteye) e a espécie V. corymbosum.

5. Espaçamento
Recomenda-se espaçamento entre 1,20 a 1,50 m entre plantas e 3,00 m entre linhas (o espaçamento entre linhas dependerá da utilizalização de máquinas, conforme a largura dos equipamentos utilizados).

6. Custo de implantação x produção
Com relação aos custos o que mais onera a produção é o preço da muda, cerca de R$ 5,00 a unidade, o que perfaz R$ 11 mil reais para o cultivo de um hectare. Considerados os demais gastos de implantação e manutenção do pomar nos primeiros dois anos, período em que não há produção, o valor sobe para R$ 20 mil reais. A produtividade varia de seis a dez toneladas por hectare, conforme a região. O preço máximo pago pelo quilo da fruta é de R$ 20,00.

 

Fontes: http://www.sebrae.com.br/setor/fruticultura/o-setor/frutas/mirtilo/mirtilo-104.6/BIA_1046/integra_bia às 19:34 de 01 de abril de 2008.
http://www.cnpuv.embrapa.br/publica/artigos/como_cultivar_mirtilo.pdf às 19:26 de 01 de abril de 2008.


Fenologia, produção e qualidade de frutos de mirtilo

Luis Eduardo Corrêa Antunes(1), Emerson Dias Gonçalves(2), Nara Cristina Ristow(1),
Silvia Carpenedo(1) e Renato Trevisan(3)

(1)Embrapa Clima Temperado, Caixa Postal 403, CEP 96001-970 Pelotas, RS. E-mail: antunes@cpact.embrapa.br, ncristow@cpact.embrapa.br, s.carpenedo@hotmail.com (2)Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Fazenda Experimental de Maria da Fé, Bairro Vargedo, CEP 35517-000 Maria da Fé, MG. E-mail: emerson@epamig.br (3)Universidade Federal de Santa Maria, Colégio Agrícola de Frederico Westphalen, Caixa Postal 54, CEP 98400-00 Frederico Westphalen, RS. E-mail: renato.trevisan@smail.ufsm.br

Resumo – O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento fenológico, a produtividade e a qualidade de oito cultivares de mirtilo do grupo rabbiteye (Bluegem, Bluebelle, Powderblue, Florida, Delite, Briteblue, Climax e Woodard), na região de Pelotas, RS. O trabalho foi realizado durante os ciclos produtivos de 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006. As plantas foram dispostas no pomar em blocos varietais aleatórios, com 16 plantas por cultivar, no total de quatro linhas, com duas cultivares por linha. Para a análise das características dos frutos, a média de cada ano de avaliação foi considerada como uma repetição. Foram observadas as datas de início e fi m da floração, início e final de colheita, massa, diâmetro longitudinal dos frutos, número de frutos por
planta, teor de sólidos solúveis totais, produção média por planta e produtividade estimada por hectare. Não houve diferença entre as cultivares avaliadas quanto às características massa, diâmetro médio de frutos e teores de sólidos solúveis totais. Na região de Pelotas, há viabilidade técnica para o cultivo de mirtilo, cujas cultivares Bluebelle, Briteblue e Bluegem são as mais produtivas.

Termos para indexação: Vaccinium, adaptação, pequenas frutas, produtividade, qualidade dos frutos.

 

Phenology, production and quality of blueberry cultivars

Abstract – The aim of this work was to evaluate the yield and quality of blueberry cultivars from the rabbiteye group (Bluegem, Bluebelle, Powderblue, Florida, Delite, Briteblue, Climax and Woodard), in Pelotas County, Southern of Rio Grande do Sul State, Brazil, during three growing seasons: 2003/2004, 2004/2005 and 2005/2006. The plants were set in randomized varietal blocks in the orchard, with 16 plants per cultivar, totaling four lines, with two cultivars per line. For statistic analysis of the fruits characteristics, each year of evaluation was considered as one repetition. The characteristics evaluated were the start and the end of flowering, beginning and end of harvest, mass, longitudinal diameter of fruits, number of fruit per plant, content
of total soluble solids, average production by plant, and the estimated productivity per hectare. There was no difference among the cultivars evaluated for the characteristics mass, mean diameter of fruits and levels of total soluble solids. In the region of Pelotas, there is technical viability for growing blueberry, whose cultivars Bluebelle, Briteblue and Bluegem are the most productive.

Index terms: Vaccinium, adaptation, small fruits, produtivity, fruit quality.

 

Introdução

Introdução
O mirtilo é uma frutífera que pertence a família Ericaceae, e é classifi cado dentro da subfamília
Vaccinioideae, na qual se encontra o gênero Vaccinium (Trehane, 2004). O mirtileiro produz frutos com diâmetro entre 8 e 22 mm, de sabor agridoce (Childers & Lyrene, 2006), com diversas propriedades nutracêuticas e alto potencial antioxidante, em razão da presença de compostos fenólicos (Kalt et al., 2007). Para seu adequado desenvolvimento, são necessários solos com pH entre 4,8 e 5,2 (Trehane, 2004; Childers & Lyrene, 2006).

No mundo, existem três grupos principais de mirtilo cultivados comercialmente: os de arbustos baixos – “lowbush”; os de arbustos altos – “highbush”; e os do tipo olho-de-coelho – “rabbiteye” (Childers & Lyrene, 2006; Strik, 2007).
O cultivo comercial do mirtilo está em franca expansão em países da América do Sul como Chile,
Argentina e Uruguai, com área de produção de aproximadamente 6.500 ha. A expansão da cultura
nesses países é infl uenciada, em grande parte, pela demanda da entressafra de países do hemisfério norte como os Estados Unidos (Strik, 2005; Brazelton & Strik, 2007). Essas demandas de mercado podemgerar oportunidades de negócio para o setor produtivo brasileiro, desde que haja adoção de tecnologia para a produção e a utilização de cultivares adequadas
(Antunes & Madail, 2005).
No Brasil, as principais cultivares pertencem ao grupo rabitteye (Antunes & Raseira, 2006). Apresentam como características: elevado vigor, plantas longevas, alta produtividade, tolerância ao calor e à seca, baixa exigência na estação fria, fl oração precoce, longo período entre fl oração e maturação (Ehlenfeldt et al., 2007) e frutos fi rmes, com longa vida pós-colheita se conservados adequadamente. Entre as limitações das cultivares desse grupo, destaca-se a completa coloração
do fruto antes do ponto ideal de colheita, que interfere no sabor, e é quando se apresentam mais ácidos e com tendência a rachar a epiderme em períodos chuvosos (Gough, 1994).
Se o acúmulo de horas de frio hibernal for insufi ciente, a depender da necessidade da cultivar, pode-se ter como conseqüência a brotação e o fl orescimento defi cientes e, conseqüentemente, a reduzida produção. Esta variação quanto à necessidade de frio entre as cultivares faz com que possa haver escalonamento da produção, desde que sejam utilizadas, numa mesma área, cultivares de maturação precoce, de meia-estação e tardia (Bowling, 2000).
As épocas de fl oração e maturação podem variar, conforme o ano e o local (NeSmith, 2006; Smolarz, 2006; Hummer et al., 2007). Assim, antes de se escolher a cultivar, é importante a realização de estudos fenológicos da cultura que podem tornar disponíveis informações necessárias para determinar quais cultivares são mais adaptadas às condições edafoclimáticas locais (Silva et al., 2006), e quais são os períodos de concentração da produção, diminuindose
os riscos de insucesso com a cultura.
A escolha das cultivares, em razão das fenofases é fundamental, pois proporciona: o escalonamento da produção; o aumento do período de oferta de frutos ao mercado; e a adaptação das tecnologias disponíveis àquela cultivar e região (Silva et al., 2006).
NeSmith (2006), ao estudar a fenologia de variedades de mirtilo em diferentes locais, concluiu que a depender da cultivar, do acúmulo de horas de frio do local e do ano de avaliação, o período de fl orescimento pode variar em até 24 dias.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento fenológico, a produção e a qualidade de frutos de oito cultivares de mirtilo, na região de Pelotas, RS.

Material e Métodos
O trabalho foi realizado na Estação Experimental da Cascata, na região colonial de Pelotas, RS, da Embrapa Clima Temperado, a 31°37'15,57"S, 52°31'30,77"W e 164 m de altitude, por três safras consecutivas: ciclo produtivo 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006.
As avaliações foram realizadas em plantas de mirtilo do grupo rabbiteye, nas cultivares: Bluebelle, Bluegem, Climax, Briteblue, Woordard, Delite, Powderblue e Florida.
As cultivares foram dispostas aleatoriamente no pomar, no total de quatro linhas, com duas cultivares por linha e 16 plantas por cultivar. Para a análise das características dos frutos, a média de cada ano (três) foi considerada como repetição. Esta coleção foi mantida sob manejo agroecológico, sem a aplicação de insumos sintéticos.
As avaliações fenológicas foram realizadas de acordo com a descrição dos estádios de desenvolvimento de gema (Childers & Lyrene, 2006), nas datas de início da fl oração (mais de 5% das fl ores abertas), fi m da fl oração (90% das fl ores abertas), início e fi nal da colheita.
Os frutos foram colhidos quando estavam no estágio de maturação completa (Childers & Lyrene,
2006), com coloração violeta e presença de pruína, em cestas de plástico e, em seguida, foram levados ao Laboratório de Melhoramento Genético, da Embrapa Clima Temperado, para as avaliações de: massa fresca por fruto (g); diâmetro longitudinal dos frutos (cm), com auxílio de paquímetro digital; número de frutos; e teor de sólidos solúveis totais (oBrix), com auxílio de refratômetro digital de bancada. A produção média por planta (kg por planta) e a produtividade estimada por hectare (kg ha-1) foram determinadas com base na densidade de 2.222 plantas ha-1 (com espaçamento de 3 m entre linhas e 1,5 m entre plantas), no número de frutos por planta e na massa fresca por fruto.
Os dados das variáveis analisadas foram submetidos à análise de variância, posteriormente comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade, por meio do SISVAR (Ferrreira, 2000).
Resultados e Discussão Em geral, o período de fl orescimento teve início no mês de agosto, na primeira quinzena, no ciclo 2005/2006, e na segunda quinzena desse mesmo, nos ciclos de
2003/2004 e 2004/2005. O fi nal da fl oração ocorreu no primeiro ciclo de avaliação (2003/2004), entre o fi nal de setembro e a primeira quinzena de outubro, em quea cultivar Delite foi a mais precoce. No segundo ciclo avaliado (2004/2005), o fi nal da fl oração ocorreu na segunda quinzena de setembro em todas as cultivares.
Entretanto, no último ciclo de avaliação, as cultivares Florida, Woordard e Bluebelle, terminaram o fl orescimento na primeira quinzena de setembro, e as demais cultivares na segunda quinzena de outubro (Tabela 1). Esta alteração no padrão de fl orescimento ocorreu em razão: das variações anuais no acúmulo em horas de frio (Tabela 2); das oscilações de temperatura ocorridas entre maio e setembro (Tabela 2); e das necessidades de temperaturas baixas de cada cultivar (Childers & Lyrene, 2006).
Pelas avaliações realizadas nos três ciclos produtivos, quase todas as cultivares iniciaram a brotação a partir da segunda quinzena de agosto, com exceção das cultivares Powderblue e Woodard, que a iniciaram no começo de setembro (Tabela 1), provavelmente em razão de estas cultivares necessitarem de 400 horas de temperaturas baixas (Childers & Lyrene, 2006), superior às demais e satisfeita apenas ao fi nal do inverno da região.
Baptista et al. (2006) verifi caram diferença no período de fl orescimento, entre as cultivares de
mirtilo do grupo Southern highbush, em que a cultivar O´Neal foi a mais precoce, e Georgiagem e Revielle as mais tardias. Esta variação no padrão fenológico é conseqüência das características genéticas de cada cultivar e de fenômenos climáticos como temperatura e fotoperíodo, que interferem na fl oração e brotação. Além disso, o próprio sistema de produção adotado pode alterar características intrínsecas da cultivar, como observado por Swain & Darnell (2002), e modifi ca o padrão produtivo e fi siológico da planta. Também a forma de condução das plantas jovens (Williamson & NeSmith, 2007), se não realizada corretamente, resulta na formação de plantas debilitadas e com baixa produção.


Na média dos três anos de avaliações, o período de colheita estendeu-se por 37 dias, entre dezembro e janeiro; o menor período de colheita ocorreu no primeiro ciclo de avaliação, com 21 dias nas cultivares Delite, Florida e Climax; e o maior período obtido no terceiro ciclo (48 dias), em 'Bluegem', 'Delite', 'Florida', 'Powderblue' e 'Bluebelle' (Tabela 1). Esta variação pode ter ocorrido em razão da fl utuação de temperatura, entre os anos de avaliação; em 2005, segundo ano de avaliação, o acúmulo de horas de frio foi de 276, abaixo da média dos anos anteriores, que foi
superior às 400 horas necessárias para essas cultivares, segundo Childers & Lyrene (2006).
Beccaro et al. (2003) ao avaliar 34 cultivares de mirtilo, dos grupos highbush, Southern highbush e
rabbiteye, na região do Piemonte (Itália), obtiveram 64 dias de colheita nas cultivares precoces Bluetta e tardias Elliot, o que demonstra a importância do cultivo de cultivares que possam ampliar o período de colheita e oferta de frutas ao mercado consumidor. O período de colheita das cultivares estudadas concentrou-se nos meses de dezembro e janeiro.
Do ponto de vista de exportação dos frutos de mirtilo, as grandes oportunidades de preço foram obtidos entre meados de outubro e de novembro (20 a 25 US$ kg-1 – CIF). Antes ou depois desse período, os preços foram menores (10 a 12 US$ kg-1 – CIF), no mercado de Miami (Fizsman, 2005). As cultivares avaliadas no presente trabalho possuem período de colheita inadequado para a exportação. Entretanto, as possibilidades de atender ao mercado interno são promissoras, uma vez que a oferta de frutos dessas cultivares se dá nos meses próximos das festas natalinas, época em que ocorre grande procura pelos mesmos.
Em relação às características físicas (Tabela 3), as maiores produções (kg por planta) foram obtidas pelas cultivares Briteblue (1,63), Bluebelle (1,63) e Bluegem (1,25). As menores foram obtidas pelas cultivares Powderblue (1,02), Woodard (0,67), Delite (0,61) e Climax (0,35). Essa produção pode ser extrapolada para o potencial de produtividade, que coloca as cultivares Bluebelle (3.703 kg ha-1), Briteblue (3.629 kg ha-1) e Bluegem (2.770 kg ha-1) como as de maior potencial de exploração, na região de Pelotas, sob regime de produção agroecológica. A diferença apresentada pelas cultivares pode ser conseqüência de fatores intrínsecos à própria adaptação, como a necessidade de baixas temperaturas e variações climáticas locais (Tabela 2), e a problemas relacionados à polinização, como descrito por NeSmith (2002), que relacionou a reduzida frutifi cação efetiva à defi ciência de polinização na cultivar Tifblue, do grupo rabbiteye.

Clique aqui para ver a tabela 2

As médias de massa de matéria fresca e diâmetro longitudinal dos frutos, entre as cultivares, foram semelhantes estatisticamente, mesmo com a variação ocorrida nos índices de produção, o que poderia colaborar para alteração da relação fonte e dreno, ou seja, em cultivares com menor produção, os frutos poderiam apresentar maior tamanho e massa de matéria fresca. Entretanto, essa tendência não foi observada, mesmo em 'Bluebelle' (1.588), 'Briteblue'(1.301) e 'Blueguem' (1.033) que produziram maior número de frutos por planta, e naqueles de menor produção de frutos como 'Climax' (250), 'Woodard' (530), 'Powderblue' (720) e 'Flórida' (750) (Tabela 3).
Carter et al. (2002) avaliaram cinco cultivares de mirtilo, dos grupos highbush, e uma cultivar do
grupo rabitteye, em Arkansas (EUA), e observaram diferenças signifi cativas entre os grupos nos quatro ciclos de avaliação, quanto às características tamanho de fruto, produção por hectare, vigor entre plantas, sanidade e qualidade dos frutos (cor, fi rmeza e aroma). No presente trabalho não houve diferença signifi cativa entre as cultivares avaliadas, quanto ao teor de sólidos solúveis totais (Tabela 3), cuja média foi 13,20°Brix.
Outros trabalhos com mirtilo (Carter et al., 2002; Swain & Darnell, 2002; Beccaro et al., 2003; Smolarz, 2006) sobre introdução, avaliação fenológica e produtiva vêm sendo realizados no mundo. As informações técnicas, geradas nesses trabalhos, viabilizam a elaboração do zoneamento agroclimático e indicam cultivares mais adaptadas às condições locais, o que reduz as possibilidades de erros de implantação. Em razão das constantes modifi cações climáticas atuais, que descaracterizamzonas típicas de clima temperado, em especial, com a redução da disponibilidade de frio hibernal (Wrege et al., 2006), é necessária a seleção de genótipos com pouca necessidade de baixas temperaturas (Antunes & Raseira, 2006) e a realização de estudos de adaptação a regiões com potencial para produção de mirtilo.

Conclusões
1. Na região de Pelotas, RS, pode-se recomendar o cultivo das cultivares de mirtilo Bluebelle, Briteblue e Bluegem.
2. As cultivares Bluebelle, Briteblue e Bluegem apresentam maior produção, número de frutos por
planta e maior produtividade.
3. Não há diferenças entre as cultivares, quanto aos teores de sólidos solúveis totais, massa de matéria fresca e diâmetro longitudinal de frutos.


Agradecimentos
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pela concessão do auxílio fi nanceiro e bolsas de pesquisa; à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, pelo apoio fi nanceiro.


Referências
ANTUNES, L.E.C.; MADAIL, J.C.M. Mirtilo: que negócio é este? Jornal da Fruta, v.13, p.8, 2005.
ANTUNES, L.E.C.; RASEIRA, M.C.B. (Ed.). Cultivo do mirtilo (Vaccinium spp.). Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2006. 99p. (Embrapa Clima Temperado. Sistema de Produção, 8).
BAPTISTA, M.C.; OLIVEIRA, P.B.; FONSECA, L.L. da; OLIVEIRA, C.M. Early ripening of Southern highbush blueberry under mild winter conditions. Acta Horticulturae, v.715, p.191-196, 2006.
BECCARO, G.; BAUDINO, M.; GIORDANO, R.; BOUNOUS, G. Tecniche di produzione del mirtillo gigante in Italia. Rivista di Frutticoltura e di Ortofl oricoltura, v.65, p.24-30, 2003.
BOWLING, B.L. The berry grower’s companion. Oregon: Timber Press, 2000. 284p.
BRAZELTON, D.; STRIK, B.C. Perspective on the U.S. and global blueberry industry. Journal of American Pomological Society, v.61, p.144-147, 2007.
CARTER, P.M.; CLARK, J.R.; STRIEGLER, R.K. Evaluation of Southern highbush blueberry cultivars for production in Southwestern Arkansas. Hortechnology, v.12, p.271-274, 2002.
CHILDERS, N.F.; LYRENE, P.M. Blueberries for growers, gardeners, promoters. Florida: E. O. Painter Printing Company, 2006. 266p.
EHLENFELDT, M.K.; ROWLAND, L.J.; OGDEN, E.L.; VINYARD, B.T. Floral bud cold hardiness of Vaccinium ashei, V. constablaei, and hybrid derivatives and the potencial for producing Northern-adapted rabbiteye cultivars. HortScience, v.42, p.1131-1134, 2007.
FERREIRA, D.F. Análises estatísticas por meio do Sisvar para Windows versão 4.0. In: REUNIÃO ANUAL DA REGIÃO BRASILEIRA DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE BIOMETRIA, 45., 2000, São Carlos. Anais. São Carlos: UFSCar, 2000. p.255-258.
GOUGH, R.E. The highbush blueberry and its management. Nova York: Haworth Press, 1994. 272p.
HUMMER, K.; ZEE, F.; STRAUSS, A.; KEITH, L.; NISHIJIMA, W. Evergreen production of Southern highbush blueberries in Hawaii. Journal of the American Pomological Society, v.61,
p.188-195, 2007.
KALT, W.; JOSEPH, J.A.; SHUKITT-HALE, B. Blueberries and human health: a review of current research. Journal of the American Pomological Society, v.61, p.151-160, 2007.
NESMITH, D.S. Fruit development period of several rabbiteye blueberry cultivars. Acta Horticulturae, v.715, p.137-142, 2006.
NESMITH, D.S. Response of rabbiteye blueberry (Vaccinium ashei Reade) to the growth regulators CPPU and gibberellic acid. HortScience, v.37, p.666-668, 2002.
SILVA, R.P. da; DANTAS, G.G.; NAVES, R.V.; CUNHA, M.G. da. Comportamento fenológico de videira, cultivar Patrícia em diferentes épocas de poda de frutifi cação em Goiás. Bragantia, v.65, p.399-406, 2006.
SMOLARZ, K. Evaluation of four blueberry cultivars growing in Central Poland. Acta Horticulturae, v.715, p.81-84, 2006.
STRIK, B. Blueberry: an expanding world crop. Chronica Horticulturae, v.45, p.7-12, 2005.
STRIK, B.C. Horticultural practices of growing highbush blueberries in the ever-expanding U.S. and global scene. Journal of the American Pomological Society, v.61, p.148-150, 2007.
SWAIN, P.A.W.; DARNELL, R.L. Production systems infl uence source limitations to growth in 'Sharpblue' Southern highbush blueberry. Journal of the American Society for Horticultural Science, v.127, p.409-414, 2002.
TREHANE, J. Blueberries, cranberries and other vacciniums. Cambridge: Timber Press, 2004. 256p.
WILLIAMSON, J.G.; NESMITH, D.S. Evaluation of fl ower bud removal treatments on growth of young blueberry plants. Hortscience, v.42, p.571-573, 2007.
WREGE, M.S.; HERTER, F.G.; STEINMETZ, S.; REISSER JÚNIOR, C.; MATZENAUER, R.; GARRASTAZU, M.C. Simulação do impacto do aquecimento global no somatório de horas de frio no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v.14, p.347-352, 2006.