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Pitanga (Eugenia uniflora)

A planta é brasileiríssima até no nome, que vem do tupi: pitag - referência à cor da fruta,
vermelha. Nativa das regiões Sudeste e Sul, hoje cresce em todo o país. Doce, um tanto ácida,
gostosa, a fruta traz benefícios ao organismo, pois contém glucose, potássio, sais minerais e
vitamina C.

Aspectos Gerais:
Planta nativa do Brasil a pitangueira medra em regiões de clima tropical e subtropical; muito comum no Nordeste brasileiro ela é encontrada desde a fronteira com as Guianas até o estado de São Paulo. Apesar do aroma e sabor exóticos da polpa do fruto o plantio da pitangueira ficou relegado a pomares domésticos.

Os primeiros plantios racionais - em escala comercial - da pitangueira aconteceram na região do município de Bonito - inicialmente pelas Indústrias Alimenticias Maguary sucedida pela Bonito Agrícola Ltda - Bonsuco (hoje responsável por 90% de toda a produção nacional de suco e de polpa congelada) - no Agreste pernambucano e hoje alcançam já 150 hectares. Estima que, em geral, o estado de Pernambuco produz entre 1300 a 1700 toneladas de frutos da pitangueira. Parte dessa produção é distribuida pela CEASA para bares, restaurantes, sorveterias, hotéis da capital pernambucana.

pitanga__________________________________Créditos da foto: Cátia Simone

Usos da Pitangueira:
Planta: usada como planta ornamental em parques e jardins e para formação de cercas vivas (Flórida, EUA).

Caule: fornece madeira para tornos, para cabos de ferramentas e implementos agrícolas, para mourões, para esteios e para lenha; o cerne escuro do tronco de plantas velhas tem utilidade em marcenaria de luxo.

Folhas: contém o alcalóide denominado pitanguina (sucedâneo de quinino); em medicina caseira seus chás e banhos são utilizados para tratamento de febres intermitentes; os chás tem uso contra diarréias persistentes, contra afecções do figado, em gargarejos nas infecções da garganta, contra reumatismos e gota. Dizem, também, o chá ser uma substancia excitante.

Fruto: ao natural sua polpa é consumida fresca ou sob forma de refrescos, sucos; processada a polpa entra na composição de sucos engarrafados, sorvetes, doces, licores, vinhos e geléias.

Ainda os frutos são tidos como digestivos se ingeridos após as refeições.

Botanica/Descrição/Variedades:
A pitangueira é conhecida como Eugenia uniflora, L, Dicotyledonae, Mirtaceae. O fruto, por ser vermelho escuro (pitangueira vermelha) era conhecido pelos índios tupi-guaranis pelo nome de pitanga.

A pitangueira é uma pequena árvore que nas regiões subtropicais alcança 2m a 4m de altura mas, vegetando sob ótimas condições de clima e de solo, alcança alturas acima de 6m., quando adulta. As folhas pequenas e verde-escuras quando formadas exalam aroma forte e característico. As flores brancas e suavemente perfumadas, são hermaforditas e melíficas. O fruto é uma baga com 1,5 a 3,0cm. de diâmetro, tem casca muito fina; a polpa do fruto maduro é macia, suculenta, doce ou agridoce, aromática, saborosa, perfumada. A maturação do fruto dá-se em 5 a 6 semanas após o início da floração.

A composição de 100 gramas de polpa é: 38 calorias, 0,3g. de proteína, 10mg. de cálcio, 20mg. de fósforo, 2,3mg. de ferro 0,03mg. de vit.B2 e 14mg. de vit. C.

Não se conhece variedades definidas de pitangueiras no Brasil; entre plantas nota-se diferenças quanto a forma, tamanho, cor e sabor do fruto. Encontra-se plantas com frutos cor laranja, com cor vermelha e com frutos encarnados, quase negros.

Clima e Solo:
A planta adapta-se as regiões de climas tropical e subtropical com boas chuvas ao longo do ano. Sob condições de irrigação pode ser cultivada em áreas semi-áridas do Nordeste. Faixa de temperatura de 23-27ºC, chuvas anuais em torno de 1,500mm. bem distribuidos e umidade do ar em torno de 80% - notadamente na formação do fruto, -, promovem o bom desenvolvimento da pitangueira que medra bem em solos com pH entre 6,0 a 6,5, leves (arenosos), silico-argilosos e até argilo-silicosos desde que sejam profundos, drenados, férteis, planos a levemente ondulados. A planta gosta de terrenos com altitude entre 600m. e 800m.

Formação de Mudas:
- A propagação da pitangueira dá-se por:

- Via sexuada: quando se utiliza a semente como órgão que multiplica a planta; é o método comum de propagação para pequenos plantios em pomares domésticos.

- Via assexuada: quando se utiliza de seus ramos para multiplicar a planta; usa-se método de alporquia e método de enxertia (garfagem em fenda cheia). Este método é indicado para obtenção de mudas que possam assegurar plantios com uniformidade de indivíduos - desenvolvimento, precocidade, produção, -, entre outras características.

- Alporquia: escolhe-se ramo da planta com, pelo menos 1cm. de diâmetro e 60 a 80cm. de comprimento, retira-se completamente a casca de 2-3cm. do ramo a 15cm. de distância da união com caule. Cobre-se com terra úmida + esterco de curral bem curtido + pó-de-xaxim e amarra-se com saco transparente. Em 55 a 65 dias o local descascado começará a emitir raízes; quando estas começam a se desenvolver corta-se o ramo 2cm. abaixo e transfere-se ramo com raízes para saco plástico com terra estercada para estimular desenvolvimento da muda. Após 3-4 meses efetuar plantio em local definitivo.

- Enxertia: utiliza-se de porta-enxerto e de pontas de ramos (garfos) de plantas a multiplicar. Sugere-se que esses enxertos sejam adquiridos de produtores de mudas credenciados por órgãos oficiais.

- Sementes: sementes vigorosas devem ser obtidas de frutos sadios, grandes, encontrados em plantas vigorosas e de boa produção; as sementes devem ser lavadas - para eliminação de polpa do fruto - e postas a secar sobre jornal e à sombra. Os recipientes devem ser sacos de polietileno, dimensões 12cm. x 16cm. ou 18cm. x 30cm., cheios de mistura de terra com esterco de curral (3:1) ou terra com esterco de galinha (6:1). Semeia-se 2 caroços por recipiente irriga-se e cobre-se com palha sem sementes; de ordinário a semente deve germinar entre 20-25 dias quando retira-se a cobertura de palha. A partir daí a proteção da plantinha é feita com cobertura alta (1m. de altura para o nascente e 0,6m. para o poente); quando a mudinha alcançar 5cm. de altura deve-se desbastar para deixar a mais vigorosa. Mudas com 25cm. de altura (5-6cm. meses pós-semeio) estarão aptas ao plantio em campo.

Plantio/Trato Culturais:
Escolhido o local para o pomar deve-se arar e gradear o terreno.

Efetua-se delimitação da área e marca-se o local de plantio com régua de plantio e piquetes, em espaçamento de 4m. x 5m. (terrenos com declividade de 0-10% em retângulo, 500 plantas/há) ou 4m. x 4m. (terrenos com declividade de 10-40% em quinconcio).

As covas devem ter dimensões 0,35m. x 0,35m. x 0,35m. e o adubo deve ser misturado à terra dos primeiros 15cm. de altura na abertura da cova. Sessenta dias antes do plantio mistura-se 10 litros de esterco de curral 200g. de superfosfato simples e 100g. de cloreto de potássio à terra de superficie e coloca-se no fundo da cova. O plantio é efetuado no início da estação chuvosa; o saco é retirado e a muda com torrão é colocada no centro da cova - com auxilio da régua de plantio - de maneira que o seu colo - superficie do torrão - fique 5cm. acima da superficie do terreno. Irrigar com 10-15 litros de água e cobrir o solo com palha ao redor da muda; o pomar deve ser mantido a limpo com capinas em coroamento à muda e roçagem nas entre linhas (inverno) para evitar concorrência de ervas daninhas. Podas - bem junto ao troco - para eliminação de ramos laterais devem ser feitas nos primeiros anos de modo qua a copa esteja formada a partir de 0,4m. de altura do solo. Adubações em cobertura são feitas, anualmente, sob copa da planta, com leve incorporação aplicando-se 10Kg. de esterco (início estação chuvosa) e 125g. por aplicação por planta, (no início e fim da estação chuvosa), da fórmula NPK 10:10:10 no primeiro ano; no 2º ano - 500g. da fórmula; 3º ano - 750g.; 4º ano - 1.000g.; 5º ano em diante - 1.200g.

Colheita / Rendimento:
A partir do 3º ano de vida e 50 dias após a floração inicia-se a colheita da pitangueira; os frutos maduros devem ser colhidos no pé, à mão delicadamente, e colocados em caixas apropriadas e abrigadas do sol (à sombra sob cobertura de lona). A planta torna-se safreira aos 6 anos de idade. De ordinário a planta entra em produção de frutos duas vezes por ano (mar-abril e ago-dezembro em Pernambuco). Uma pitangueira pode produzir de 2,5 a 3,0Kg. de frutos/árvore/ano em pomares não irrigados. Em áreas irrigadas (Bonito-Pe) encontrou-se o seguinte rendimento em toneladas por hectare: 2º ano-0,5; 3º ano-3,0; 4º ano-5,0; 5º ano-7,0; e 6º ano em diante-9,0 t/ha.

Partes utilizadas: Folha e fruto.

Ajuda a tratar de: Afecções renais, anemia, ansiedade, bronquites, diarréias, estados febris,
excesso de oleosidade na pele, gota, gripes, pressão alta, reumatismo, tosses, verminoses.

 

Fontes: http://www.seagri.ba.gov.br/Pitanga.htm às 21:19 de 19 de março de 2008
Essencial - Um guia prático para cuidar da saúde, Editora Nova Cultural Ltda, São Paulo, 2001.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - IPA
Divisão de Difusão e Documentação
A pitangueira em Pernambuco
Recife-1992

Editora Globo
Revista O Globo Rural
Edições -no 89, mar. 93, pg. 17.
no 132, out. 96, pg. 17
no 142, set. 97, pg. 62
São Paulo - SP

Editora Globo
Revista Rural Abril
São Paulo - 1991

Informativo SBF - v.4, no 3 set. 1985